
Nos últimos anos, os extratos de algas ganharam espaço na agricultura, principalmente como componentes de fertilizantes foliares e bioestimulantes.
As algas marinhas são organismos que vivem em ambientes extremamente dinâmicos, submetidos diariamente a variações de temperatura, salinidade, luminosidade, movimentação da água e períodos de exposição ao ar. Para sobreviver nessas condições, desenvolveram mecanismos fisiológicos e produziram uma grande variedade de compostos bioativos.
É justamente esse conjunto de características que desperta o interesse da agricultura.
Os extratos de algas podem conter diferentes compostos orgânicos, incluindo polissacarídeos, compostos fenólicos, betaínas e outras moléculas biologicamente ativas. A composição, entretanto, varia bastante de acordo com a espécie utilizada e principalmente com o processo de extração.
Por isso, quando falamos em “extrato de algas”, é importante entender que nem todos os extratos são iguais.
O principal interesse agrícola não está simplesmente na quantidade de nutrientes minerais presentes na alga.
O grande diferencial está nos compostos bioativos e nos sinais que determinados extratos podem fornecer à planta.
Quando aplicados corretamente, os extratos de algas podem atuar como bioestimulantes, contribuindo para processos relacionados ao crescimento, desenvolvimento radicular, eficiência nutricional e resposta das plantas a condições de estresse.
Estudos científicos têm associado extratos de algas a respostas relacionadas à tolerância a estresses ambientais e à melhoria da eficiência do uso de nutrientes.
Isso não significa que o extrato de algas substitua a adubação. Seu papel é diferente. Enquanto o fertilizante fornece nutrientes essenciais, o extrato de algas pode atuar como uma ferramenta complementar, ajudando a planta a utilizar melhor seus recursos e responder de maneira mais eficiente às condições do ambiente.
Entre as espécies de algas marrons mais utilizadas comercialmente para produção de extratos agrícolas estão a Ascophyllum nodosum e a Durvillaea potatorum.
Apesar de ambas serem algas marrons e apresentarem interesse agronômico, elas possuem origens e características ambientais diferentes.
A Ascophyllum nodosum é nativa do Hemisfério Norte e é encontrada principalmente em regiões costeiras do Atlântico Norte.
A Durvillaea potatorum, conhecida como uma espécie de kelp gigante, é nativa do Hemisfério Sul e possui ocorrência importante nas regiões costeiras da Austrália e Tasmânia.
Essas algas estão constantemente expostas a condições ambientais adversas, como variações de temperatura, salinidade, radiação e períodos de desidratação durante a maré baixa.
Essa capacidade natural de sobreviver em ambientes extremos é uma das razões pelas quais seus extratos despertam interesse como bioestimulantes agrícolas.
Quando se fala em extrato de algas, é comum encontrar no mercado uma diferenciação entre algas provenientes de águas frias e aquelas encontradas em ambientes de temperaturas mais elevadas ou temperadas.
Essa diferença é relevante porque o ambiente onde a alga vive influencia sua fisiologia e a produção de determinados compostos.
Algas de regiões mais frias, por exemplo, estão adaptadas a condições de baixa temperatura, forte variação ambiental, luminosidade e períodos de estresse.
A Ascophyllum nodosum é um exemplo de alga associada a regiões costeiras frias do Hemisfério Norte.
A Durvillaea potatorum, por sua vez, ocorre no Hemisfério Sul em regiões mais quentes, especialmente na Austrália.
Durvillaea potatorum: a força das algas do Hemisfério Sul
A Durvillaea potatorum apresenta grande interesse para a produção de extratos agrícolas.
Essa espécie ocorre principalmente nas regiões costeiras do sul da Austrália e da Tasmânia e está adaptada a ambientes costeiros sujeitos a condições bastante dinâmicas.
Extratos produzidos a partir de Durvillaea potatorum têm sido estudados em diferentes culturas. Pesquisas realizadas na Austrália avaliaram extratos produzidos a partir dessa alga e encontraram respostas relacionadas ao crescimento, desenvolvimento radicular e tolerância das plantas a diferentes condições de estresse.
Um dos grandes desafios ao explicar os extratos de algas é que sua composição não é igual à de um fertilizante mineral convencional.
Um fertilizante mineral pode ser descrito principalmente pela concentração de nutrientes. Já um extrato de algas possui uma mistura muito mais complexa de compostos.
Dependendo da espécie e do processo de extração, podem estar presentes diferentes polissacarídeos, compostos fenólicos, betaínas e outras moléculas bioativas. Alguns extratos de Ascophyllum nodosum e Durvillaea potatorum, por exemplo, apresentam compostos como laminarinas e betaínas, além de outros componentes orgânicos.
É justamente essa diversidade de compostos que está relacionada ao potencial bioestimulante desses produtos.
Um dos principais motivos para a utilização de extratos de algas na agricultura é a possibilidade de ajudar as plantas a lidar melhor com situações de estresse.
Durante o ciclo, uma lavoura pode enfrentar:
Essas condições podem provocar alterações no metabolismo da planta e comprometer seu desenvolvimento.
Os extratos de algas podem atuar como bioestimulantes, ativando ou preparando determinadas respostas fisiológicas da planta.
Esse fenômeno é frequentemente relacionado ao conceito de priming, no qual a planta fica em um estado de maior capacidade de resposta quando posteriormente enfrenta uma condição de estresse. Estudos com extratos de Ascophyllum nodosum e Durvillaea potatorum investigam justamente mecanismos relacionados a essas respostas.
Na prática, o objetivo não é “blindar” a planta contra o estresse, mas ajudá-la a responder melhor quando as condições ambientais se tornam desfavoráveis.
O sistema radicular é fundamental para o potencial produtivo da planta. Uma raiz bem desenvolvida melhora a capacidade da cultura de explorar o solo, acessar água e nutrientes e sustentar o crescimento da parte aérea.
Pesquisas com extratos de Durvillaea potatorum e Ascophyllum nodosum demonstraram efeitos sobre o crescimento das raízes em determinadas condições experimentais.
Por isso, extratos de algas podem ser utilizados estrategicamente em fases nas quais o desenvolvimento radicular é importante, como estabelecimento inicial da cultura, recuperação após condições adversas e períodos de elevada demanda fisiológica.
É importante deixar claro que extrato de algas e fertilizante mineral possuem funções diferentes.
A planta precisa receber todos os nutrientes essenciais em quantidades adequadas. O extrato de algas não substitui a necessidade de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes.
O seu papel está relacionado principalmente à bioestimulação e ao suporte aos processos fisiológicos da planta.
Por isso, uma estratégia eficiente pode combinar:
nutrição mineral + aminoácidos + extratos de algas + tecnologia de aplicação.
Cada ferramenta possui uma função e pode contribuir para uma estratégia nutricional mais completa.
A agricultura está evoluindo para um modelo cada vez mais focado em eficiência.
O produtor busca utilizar melhor os fertilizantes, aumentar a eficiência das aplicações e preparar as plantas para enfrentar condições ambientais cada vez mais desafiadoras.
Nesse cenário, os extratos de algas representam uma ferramenta interessante dentro dos programas modernos de nutrição e bioestimulação.
Quando corretamente formulados e aplicados, podem contribuir para o desenvolvimento das raízes, eficiência nutricional e capacidade de resposta das plantas diante de condições de estresse.
Por isso, os extratos de algas podem fazer parte de formulações desenvolvidas para complementar a nutrição e estimular processos importantes para o desenvolvimento das culturas.
Mais do que fornecer nutrientes, é preciso ajudar a planta a utilizar melhor seu potencial.
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