
Na agricultura, não basta utilizar um bom fertilizante ou defensivo. É preciso fazer com que o produto chegue à planta, seja distribuído adequadamente sobre a folha, permaneça em contato com ela e, quando necessário, seja absorvido.
É nesse processo que entram os adjuvantes agrícolas. Os adjuvantes são produtos adicionados à calda de pulverização para melhorar determinadas características da aplicação. Dependendo da tecnologia utilizada, podem favorecer a redução da deriva, o espalhamento, a penetração e a adesão dos produtos sobre a superfície foliar.
Na prática, um bom adjuvante ajuda o produtor a aproveitar melhor cada aplicação realizada na lavoura.
Quando uma gota atinge a folha, ela pode permanecer concentrada em uma pequena área. Isso acontece principalmente devido à tensão superficial e às características da própria folha.
Um adjuvante com efeito super espalhante reduz essa tensão e permite que a gota se distribua por uma área maior, aumentando a cobertura da superfície.
Isso é importante porque as folhas possuem características que podem dificultar uma distribuição uniforme, como ceras e diferentes níveis de hidrofobicidade.
Quanto melhor a distribuição da calda, maior pode ser a área de contato do produto com a folha.
Porém, o objetivo não é simplesmente espalhar o máximo possível. É necessário buscar equilíbrio entre espalhamento, retenção e absorção.
Depois de chegar e se espalhar sobre a folha, o produto precisa superar suas barreiras naturais para ser absorvido.
A cutícula, por exemplo, funciona como uma proteção contra a perda de água e também pode dificultar a entrada de determinadas substâncias.
Adjuvantes com efeito penetrante são desenvolvidos para melhorar a interação da calda com a superfície foliar e favorecer a absorção de determinados componentes. A eficiência desse processo depende da cultura, idade da folha, formulação utilizada, condições ambientais e características do produto aplicado.
Por isso, um bom penetrante não deve simplesmente “forçar” a entrada do produto, mas criar condições mais favoráveis para sua absorção.
Outro desafio da pulverização é manter o produto sobre a superfície da planta pelo tempo necessário.
Chuva, irrigação, orvalho e outras condições podem remover parte da calda antes que o produto seja adequadamente aproveitado.
O efeito adesivo melhora a retenção do produto na superfície foliar, favorecendo sua permanência e aumentando o tempo de contato com a folha. Assim, podemos resumir as três principais funções:
SUPER ESPALHANTE → melhora a cobertura
PENETRANTE → favorece a absorção
ADESIVO → aumenta a permanência
Quando essas características estão equilibradas em uma mesma formulação, o adjuvante pode atuar em diferentes etapas da aplicação.
Durante uma pulverização, parte das gotas pode ser deslocada pelo vento para fora do alvo, fenômeno conhecido como deriva. Além de representar perda de produto, a deriva pode reduzir a eficiência da aplicação e aumentar o risco de atingir áreas vizinhas.
Uma formulação com efeito antideriva pode contribuir para melhorar as características das gotas, reduzindo a formação de gotas muito finas e, consequentemente, o potencial de deriva. Dessa forma, uma maior quantidade da calda tende a permanecer direcionada ao alvo da aplicação.
O efeito antideriva deve sempre estar associado à regulagem adequada do equipamento, escolha correta das pontas, pressão de pulverização, velocidade de operação e condições climáticas favoráveis.
O objetivo é simples: colocar mais produto onde ele precisa estar — na planta — e reduzir as perdas durante a aplicação.
A utilização de adjuvantes é especialmente interessante na aplicação de fertilizantes foliares.
Os nutrientes precisam permanecer em contato com a folha e atravessar suas barreiras naturais para serem absorvidos. Por isso, uma formulação com características de espalhamento, penetração e adesão pode contribuir para melhorar as condições da aplicação.
Isso é ainda mais relevante nos fertilizantes modernos que utilizam tecnologias como aminoácidos e extratos de algas.
Os aminoácidos podem participar de processos metabólicos da planta e também auxiliar na associação com determinados nutrientes. Já os extratos de algas são utilizados por seu potencial bioestimulante. Assim, podemos pensar em um sistema completo:
fertilizante de qualidade + adjuvante adequado + aplicação correta.
Existem adjuvantes com diferentes características e objetivos. Alguns são desenvolvidos principalmente para redução da deriva, espalhamento, outros para adesão ou penetração, enquanto formulações mais completas podem combinar essas funções.
Por isso, a escolha deve considerar a cultura, o produto aplicado e o objetivo da pulverização.
É importante lembrar também que o adjuvante não corrige uma aplicação mal executada. Qualidade da água, temperatura, umidade, vento, tamanho das gotas, pontas de pulverização e volume de calda continuam sendo fatores fundamentais.
Cada pulverização representa um investimento em produto, combustível, máquinas, mão de obra e tempo.
Por isso, melhorar a eficiência da aplicação significa buscar o melhor aproveitamento possível de cada operação.
Um adjuvante com tecnologia antideriva, super espalhante, penetrante e adesiva pode contribuir para isso, proporcionando:
Menor perda por deriva.
Mais cobertura.
Mais contato.
Mais permanência.
Mais eficiência.